Arquiteto de Sistemas Culturais
Conceber as estruturas de governação para uma sociedade digital.
Atuo na intersecção entre cultura, tecnologia e estratégia. Como diretor e membro do conselho, não me limito a supervisionar projetos; eu desenvolvo os sistemas que permitem que as organizações culturais prosperem na realidade pós-digital.
A minha abordagem baseia-se na convicção de que Digital = Governação. Numa era em que os algoritmos organizam a nossa realidade e os dados definem o nosso financiamento, a infraestrutura técnica de uma instituição cultural é tão política quanto o seu programa artístico.
Atualmente, sou diretor da Emoves e acionista da Meneer Rick, com foco na «cultura full stack» da região de Brainport. O meu portfólio de governança inclui atuar no Raad van Toezicht (Conselho Fiscal) da Het Cultuurfonds, garantindo que a estratégia cultural seja apoiada por uma supervisão robusta. O meu trabalho transforma iniciativas de projetos temporários em perspetivas estruturais, garantindo que o ecossistema criativo não seja apenas um playground para a inovação, mas uma infraestrutura sustentável para o crescimento profissional.
O meu trabalho atual
A Fundação
De ambientes responsivos à governança sistémica.
A minha trajetória é definida pela busca de sistemas que ainda não existiam. Mudei-me originalmente de Portugal para a Holanda para realizar uma investigação de doutoramento na TU Eindhoven, especificamente porque a área de Ambientes Responsivos era praticamente desconhecida no meu país natal na altura. Esse compromisso inicial com a busca pela fronteira da cultura tecnológica definiu cada passo desde então.
A investigação como prática
Esse rigor académico tornou-se a licença para o meu trabalho estratégico. Como leitor fundador e líder no centro de conhecimento Economia Criativa (Fontys Hogeschool), liderei a série de investigação Our Brave New World. Tratámos grandes festivais como o STRP e o IMPAKT não como meros eventos, mas como laboratórios vivos («Festivais como Laboratórios»). Aqui, testámos o atrito entre a sociedade e a tecnologia, explorando «Interfaces Especulativas» e a ética da automação, numa altura em que a indústria ainda via estes conceitos como ficção científica.
Os primeiros centauros
Muito antes de a IA se tornar uma ferramenta onipresente, eu estava a investigar o «Centaur Jornalista-Máquina» — a relação simbiótica entre a criatividade humana e a eficiência algorítmica. A minha investigação sobre Jornalismo Automatizado produziu protótipos práticos como o «PASS» (reportagem sobre futebol) e o «Charlotte» (bot de entrevistas). Estas não foram tentativas de substituir o trabalho humano, mas sim de o aumentar — libertando os profissionais para um trabalho de investigação mais aprofundado.
Marketing como Design
Em colaboração com Eveline van Zeeland (Marketing Design, 2019), estabeleci que o marketing não é meramente analítico; é uma tarefa de design. Argumentámos que 1+1=3: quando se combina o rigor analítico do marketing com a mentalidade de resolução de problemas do design, cria-se um valor que excede a soma das suas partes.
«Ao reunir pessoas de diferentes origens, a criatividade e a inovação tornam-se inclusivas. Essa inclusão conecta o design às pessoas e torna o design uma questão social.»
A visão do arquiteto:
Desde que comecei a trabalhar com a Responsive Environments em 2005, a minha carreira tem sido um estudo contínuo de como os espaços — físicos, digitais e organizacionais — respondem ao comportamento humano. Hoje, aplico esse pensamento arquitetónico ao próprio setor cultural. Seja garantindo a empregabilidade dos artistas através de uma mudança para a «Lógica da Perspectiva» ou projetando a governança digital de uma fundação, o objetivo permanece o mesmo: construir sistemas que sejam robustos, transparentes e inerentemente humanos.
